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sábado, 22 de agosto de 2015

Cool Girls

Da primeira vez que pus o pé em Londres, em modo muito pouco turístico, esperava ver pessoas muito cool. Foi esse o meu primeiro pensamento: para lá dos esquilos e da história e da arte e da arquitectura eu queria gente cool. E, para meu descontentamento, havia muito pouca.


A minha obsessão com as cool girls vem de bem longe: desde que me lembro que são para mim seres místicos. Não conheço muitas, mas creio que é esse o aspecto mais interessante. Se houvesse muita gente cool a magia morria.



A minha passagem por Londres deixou-me a pensar de forma mais séria no assunto. Creio que toda a gente partilha em parte o fascínio, mesmo que nem toda a gente sinta a obsessão latente. Afinal o que define o cool? É uma questão de vestuário ou de atitude? Talvez seja o conjunto. Mas o que, para mim, está acima de tudo é a confiança quase arrogante com que gente cool se passeia: o olhar altivo, o desdém... Aquele ar de quem não precisa de ser cool, de quem não precisa agradar. Dai que o movimento punk seja o pináculo do cool... e daí que eu esperasse tanto de Londres.


Ser cool requer a capacidade de se destacar, de ser diferente, de colocar questões. Nem sempre a extravagância é a forma de lá chegar, contrariamente à ideia que se instalou. O cool também se mostra nas subtilezas. É difícil de definir inteiramente essa aura.


Acredito que ninguém seja totalmente cool. O ser humano partilha sempre de uma imensidade de inseguranças que previne esse estado superior. Acredito também que estamos destinados a perseguir esse objectivo incessantemente.


Olhemos mais seriamente para a loucura das redes sociais: são horas e horas passadas a tentar provar que somos cool, que as nossas férias são as melhores, que as nossas relações são mágicas e que a nossa vida é invejável. Para lá disso, passamos outras tantas horas a medir o quão cool são as outras pessoas. Claro que isto sempre aconteceu: o fenómeno não é novo. Está só mais público.


Penso que toda a gente vai achar que estou a pensar demasiado em assuntos de teenager e negar prontamente o seu interesse em ser cool... e depois vai olhar para o seu interior e, lá no fundo, descobrir que também inveja esse poder.

Ou talvez não.

Enjoy,
The 5

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Nudez e Pudor: Salvem as crianças!


Considero a nudez como um direito básico do ser humano. Temos direito a rejeitar toda e qualquer peça de roupa que nos incomode, em todo e qualquer local e incomoda-me o argumento de decência.

Explico:

Todos nós temos um corpo. Nasce connosco e tem uma influência enorme sobre nós: da aparência à mobilidade. Alguns de nós são gordos e outros magros, altos ou baixos, musculados ou escanzelados... mas não só! Existe uma variedade imensa de corpos, alguns dos quais consideramos mesmo como deformidades. E todos eles, sem excepção, são absolutamente incríveis! A quantidade de condições que o corpo humano suporta é impressionante: de doenças a agressões, do parto à morte. 

Ora eu amo vestir-me, amo roupa e amo moda. Mas a obrigatoriedade de me cobrir obriga-me a assumir que o corpo é algo tão terrível que partes dele não devem ser de todo expostas a olho humano! 

É geralmente aqui que alguém me diz "mas pensa nas crianças"! Eu estou a pensar nas crianças, muito seriamente. Estou a pensar como lhes estamos a ensinar, a cada dia, que o corpo não é algo natural. Dizemos sem pensar que há algo de errado naquele corpo e que não deve ser revelado. Ensinamos que ver mais pele leva a ataques, violações e desprezo no geral, podendo inclusive dar cadeia. Sim, porque a lei visa que o meu corpo, nocivo e odiável, não pode ver a luz do dia. No fundo, estamos a fomentar um ódio não só à humanidade, mas também a si próprios. Ao seu corpo.

O que me incomoda ainda mais é a extrema sexualização da nudez. Ressoa na cabeça a ideia de que mostrar o corpo só pode significar uma coisa: promiscuidade. Antes de mais, acho importante referir que também o sexo é natural e saudável. Mas nem tudo é sexo. E a liberdade de andar nú não está de todo ligada ao sexo. São dois assuntos diferentes. Posso garantir que a primeira vez que alguém vê um corpo nú (provavelmente na tenra infância), não pensa imediatamente em cama! E se remontarmos à prática da amamentação, vemos que uma mama é só isso mesmo: sem terceiras intenções. Então porque é que amamentar é perfeitamente natural, mas eu andar a passear topless não? Em que medida é que o meu corpo é ofensa?

Sou pelo direito à nudez. Não pela obrigatoriedade, mas pela liberdade de escolha. O meu corpo não é uma ofensa e muito menos propriedade. A minha pele é só minha.

Enjoy,
The 5